AHSEB mostra como a inteligência artificial pode transformar a saúde sem perder o olhar humano
Evento reúne especialistas para discutir como a IA pode auxiliar diagnósticos, decisões e processos sem substituir a escuta, a empatia e o vínculo com o paciente Yuri Marx, diretor técnico da Visum...
Evento reúne especialistas para discutir como a IA pode auxiliar diagnósticos, decisões e processos sem substituir a escuta, a empatia e o vínculo com o paciente


Yuri Marx, diretor técnico da Visum Consultoria, e Fabíola Sousa de Queiroz, gestora estratégica da Rede Sarah, são palestrantes do seminário
Fotos: Divulgação
Até onde a inteligência artificial pode ajudar a antecipar as condições clínicas dos pacientes e apoiar as decisões dos profissionais de saúde? Como incorporar a tecnologia ao cuidado sem perder de vista o humano, a escuta e o vínculo com o paciente? Como fazer com que a inteligência artificial se transforme em resultados concretos para a saúde? Essas e outras perguntas estarão no centro do debate do seminário “Saúde: Onde a IA Encontra o Humano”, realizado pela Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (AHSEB), no dia 8 de outubro, a partir das 8h, no Mundo Plaza Business Center, em Salvador.
A programação inclui palestras, painéis, apresentação de cases, debates e momentos de networking, reunindo especialistas para discutir a inteligência artificial sob diferentes perspectivas, da estratégia à operação, passando pela transformação da gestão, pela governança e pela geração de valor. O encontro vai abordar os impactos da tecnologia na cultura das organizações para integrar inovação, processos e recursos tecnológicos sem perder de vista a dimensão humana do cuidado e da experiência de pacientes, familiares e profissionais de saúde.
“A inteligência artificial na saúde não é uma novidade. Já está sendo bastante praticada e será utilizada com frequência e amplitude cada vez maiores. Isso, na perspectiva de que cada pessoa é única, com características próprias, e de que o tratamento também deve ser individualizado. A decisão continua sendo do profissional de saúde, e a inteligência artificial é uma ferramenta fantástica para que esse processo seja cada vez mais assertivo. O ganho assistencial tende a ser muito grande ao longo dos anos. Essa é a perspectiva com que trabalhamos a inteligência artificial na saúde, mantendo a individualidade do paciente e preservando o conhecimento do profissional que toma a decisão”, afirma o presidente da Ahseb, Mauro Adan.
Pela manhã, o diretor técnico da Visum Consultoria, Yuri Marx, vai discutir como a inteligência artificial pode transformar o grande volume de informações acumuladas por hospitais e clínicas em apoio à decisão dos profissionais de saúde. Na palestra “Utilizando IA para Conversar com seu ERP: Antecipando a Condição Clínica dos Pacientes”, ele vai abordar os sistemas ERP (Enterprise Resource Planning, ou Planejamento de Recursos Empresariais), que reúnem dados de milhares de pacientes ao longo dos anos, como exames, consultas, internações e outros atendimentos. Com a análise desse histórico, a IA pode identificar padrões, recorrências e relações entre diferentes informações clínicas, gerando referências para a avaliação de novos casos e ajudando a antecipar possíveis riscos.
“A IA não vem para substituir o médico. É uma cooperação. Eu vejo isso de uma forma bem positiva. Quando você tem modelos de IA que podem ajudar a dar agilidade e até mesmo melhorar a qualidade do diagnóstico e do tratamento, isso é muito benéfico para o médico e, principalmente, para o paciente. A IA funciona como um auxiliar, como algo que está trabalhando junto com o médico para que ele obtenha mais precisão nos diagnósticos. Ela pode dar uma luz, uma sugestão, e o profissional avalia e aprova aquilo que faz sentido para o caso”, afirma o palestrante.
De acordo com Marx, a inteligência artificial pode ser utilizada em diferentes etapas da assistência. Na chegada ao hospital, as informações coletadas na triagem podem ser cruzadas com o histórico do paciente para ajudar a definir a prioridade do atendimento. Em exames de imagem, modelos treinados com grandes volumes de exames anteriores podem reconhecer alterações ou padrões que eventualmente não sejam percebidos na avaliação visual do médico.
O mesmo ocorre nos exames laboratoriais, nos quais a IA cruza diferentes indicadores e aponta relações associadas a determinadas condições clínicas. A ferramenta atua como apoio ao profissional, ampliando a capacidade de análise e oferecendo elementos para uma investigação mais precisa e antecipada.
O coração é humano – À tarde, o evento também vai abordar como a inteligência artificial pode auxiliar os serviços de saúde, preservando o papel fundamental do cuidado humano. Esse será o foco da palestra “Nova Arquitetura da Saúde: Por que a Transformação é Muito Mais Humana do que Tecnológica?”, da gestora estratégica da Rede Sarah, Fabíola Sousa de Queiroz. A palestrante destaca a inteligência artificial como uma aliada para ampliar a eficiência dos serviços de saúde, com automatização de tarefas repetitivas, possibilitando aos profissionais dedicar mais tempo ao paciente e a aspectos essenciais da assistência, como a escuta, a empatia e o vínculo.
“O robô nunca vai substituir aquilo que dá sentido ao cuidado, que é a empatia, a escuta humana, o vínculo que você cria com o médico, com o enfermeiro, com o fisioterapeuta, com qualquer profissional de saúde que destina o tempo, o olhar, o toque, o abraço, a coragem, uma palavra de conforto. Isso tudo nós temos, essa capacidade de compreender a dor do outro. Porque quem tem coração é humano. Eu vejo a tecnologia com olhos muito positivos para a automatização de processos e como auxílio diagnóstico, mas jamais para substituir aquilo que é essencialmente humano, aquilo que está dentro de nós”, reforça.
O seminário contará ainda com a participação de João Galdino, CEO e fundador da Genesis IA e professor de IA na UNICAMP e no UNISAL, com a palestra “A Inteligência Artificial e a Saúde: O Passado, o Presente e o Futuro — Para Onde Iremos?”; Ariosvaldo Isóteles, CEO e co-founder da XINFAX Brasil, com “IA Encontra os Micro-organismos: A Revolução Silenciosa Contra as Superbactérias — Fagoterapia Magistral e o Novo Paradigma da Medicina Personalizada”; Antonio Cavalcanti, Head de IA da 3wings, com a palestra “Da Estratégia à Operação: Uma Jornada Estruturada para Transformação em IA”;
A programação reúne ainda Soraia Accioly, gerente técnica assistencial e de qualidade da Santa Casa da Bahia, com “IA em Saúde: Por que Alguns Projetos Geram Valor e Outros Não?”; Miguel R. Trigo, estrategista de IA para CEOs e Conselhos de Administração e professor associado da Universidade Fernando Pessoa, com “A Armadilha do Turismo de IA: Como Transformar Pilotos em Valor Real”; Michelle Araújo, gerente de Cultura e Desenvolvimento do A.C.Camargo Cancer Center, com a palestra “Liderar a Nova Saúde: Cultura, Pessoas e Tecnologia em Evolução”.
Já Carlos A. R. Sacomani, consultor da Folks, urologista e cirurgião robótico vai falar sobre o tema “A Governança e a Estratégia de IA: Um Ponto Crítico”; Grace Leite, especialista de Produto da Pixeon Smart, sobre “Da Digitalização à Inteligência Organizacional: Como a IA Está Transformando a Gestão da Saúde”. O seminário terá como mediadores dos debates Sérgio Leite Carneiro, presidente da Rede LabForte; Elba Vieira, gerente de Privacidade e Segurança do SENAI CIMATEC; e Priscila Wiederkehr, diretora da AHSEB e CEO do Grupo Vitalmed na Bahia.
Serviço
Seminário AHSEB
Tema: “Saúde: Onde a IA Encontra o Humano”
Data: 8 de outubro de 2026
Horário: A partir das 8h
Local: Mundo Plaza Business Center – Salvador
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