A seis dias da eleição, Delliana cresce na pesquisa e reforça agenda de educação e trabalho
Candidata do PSOL ao Senado alcança 7% e defende isenção do Imposto de Renda para professores e o fim da escala 6×1 A Professora Delliana (PSOL) chegou a 7% das intenções de voto na disputa pelo...
Candidata do PSOL ao Senado alcança 7% e defende isenção do Imposto de Renda para professores e o fim da escala 6×1

A Professora Delliana (PSOL) chegou a 7% das intenções de voto na disputa pelo Senado na Bahia, segundo pesquisa Real Time Big Data contratada pela Record e divulgada nesta segunda-feira (28). A candidata marcava 5% em agosto e 6% no início de setembro e está entre as duas únicas candidaturas que cresceram em todas as rodadas do levantamento.
A pesquisa ouviu 1.600 eleitores baianos, por telefone e internet, entre 23 e 26 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, e está registrada no TSE sob o número BA-01777/2026. Desde agosto, a parcela de brancos e nulos caiu de 9% para 5%, e a de indecisos de 8% para 6%. A eleição acontece no próximo domingo (4).
“Em agosto, eu disse que o nosso crescimento viria de quem ainda não tinha decidido o voto, e é isso que os números mostram agora. Esse caminho se faz eleitor por eleitor, conversa por conversa, com gente que trabalha nesta campanha por convicção. Nesta última semana, quero dizer a cada baiano e a cada baiana que a fotografia do poder pode mudar, e ela muda com o voto de quem nunca se viu representado”, afirma Delliana.
Professora da educação básica, negra e nascida em Ubaitaba, no interior do estado, Delliana é a única mulher entre os candidatos ao Senado pela Bahia neste pleito. Em toda a sua história, a Bahia elegeu uma única senadora, e hoje as mulheres ocupam apenas 15 das 81 cadeiras da Casa.
Para a candidata, o crescimento nas pesquisas mostra que o eleitorado baiano está disposto a mudar quem ocupa os espaços de decisão. “A gente precisa reformular essa fotografia do poder que a gente vê. Normalmente, a gente só vê homens brancos, de cabelos brancos, inclusive pessoas que são abastadas, que tiveram acesso ao melhor que o solo brasileiro garantiu a eles”, ressalta Delliana, que integra o Quilombo nos Parlamentos, iniciativa da Coalizão Negra por Direitos para ampliar a presença negra na política.
A valorização de quem ensina está no centro da agenda de Delliana no Senado. Entre as propostas, a candidata defende a isenção do Imposto de Renda para os professores da educação básica, medida que considera necessária diante do adoecimento da categoria e de um piso salarial que não acompanha as exigências da profissão, dentro e fora da sala de aula.
“A gente acredita, e é uma pauta nossa, que os professores da educação básica tenham uma isenção fiscal, entendendo, inclusive, que, com as demandas que a gente assume em sala de aula e com todas as lutas que a gente precisa encampar para garantir o mínimo, o piso salarial é um valor que não garante, por exemplo, atendimento psicológico”, afirma Delliana.
A agenda inclui ainda a destinação de pelo menos 10% do PIB à educação pública, a garantia de um terço da jornada para o planejamento pedagógico e o fim da aprovação automática. No Ideb 2025, a Bahia não alcançou nenhuma das metas esperadas para as três etapas da educação básica. “Nós somos contra essa maquiagem que vem sendo feita e que tem prejudicado a vida dos jovens”, completa a candidata.
No mundo do trabalho, Delliana defende o fim da escala 6×1, com jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso e sem redução salarial. A proposta de emenda constitucional já passou pela Câmara e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas a votação em plenário foi adiada para depois do primeiro turno, sinal de que o avanço da pauta depende de quem ocupa as cadeiras da Casa.
Delliana conhece de perto a rotina de quem trabalha sem tempo para viver e reúne na própria trajetória as condições para defender essa pauta no Senado. “O professor também é vítima da escala 6×1. Quando a gente teve o aumento de 180 para 200 dias letivos, a quantidade de sábados letivos aumentou”, afirma.
Na reta final, Delliana reafirma o que define como verdadeira esquerda: oposição frontal e inegociável à extrema direita e nenhuma concessão a banqueiros ou empreiteiros em troca de vantagens próprias. Essa posição se traduz em propostas como a taxação das grandes fortunas e a equiparação da tributação entre bancos e fintechs de pagamento, que hoje recolhem 20% e 12% de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente.
Em um momento em que muitos discursos se ajustam à conveniência eleitoral, Delliana sustenta que manter as mesmas posições do início ao fim da campanha é o que diferencia sua candidatura. “A gente continua falando a verdade, aquilo que a gente defende durante todos os períodos”, afirma a candidata, que chega à última semana com a mesma mensagem com que começou: Uma de Nós no Senado.
Foto: Bruno Hierro
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